quarta-feira, 25 de março de 2015

Como fumar em hospital sem ser notado

Passei quatro dias internada num hospital que naturalmente segue a lei antifumo. Lá pelas tantas, dá uma vontade incrível de me sentar - seja lá onde for - acender um cigarro...

Tive alguma dificuldade enquanto estive na emergência; tava com muita dor, mas ainda assim, entre um exame e outro, meio zonza de tanto medicamento, com a bolsa embaixo do braço, com minhas roupas normais, driblava o segurança e saía porta fora e me escondia pra fumar o tal cigarro. Em seguida, voltava e olhava pro segurança com cara de tacho. E ia lá me sentar na sala de espera para um exame mais sofisticado.

Veja bem ao lado que 100% do hospital com esses cartazes por todo o lado está livre do tabaco! Ora, ninguém nem nada é livre 100% de nada! Muito menos eu, comum mortal viciada num patético cigarro. Após exames resolveram me internar para tratamento com antibióticos. "Putz, que saco!" pensei. aonde que vou fumar!
Já era madrugada e eu aguardando o leito disponível somente para a manhã seguinte.
Cheguei no quarto de cadeira de rodas, como manda o figurino. Mais duas mulheres - nenhuma fumante - já me aguardavam. Em seguida me colocaram medicação na veia e tive que ficar presa na cama. Com o tempo, fui melhorando e minha fome aumentando. Pensava num café preto e um cigarro, talvez um sanduíche de mortadela, coxinha de galinha, pastel. Era o sinal da melhora!
Livre do fio de borracha por onde pingava as medicações, comecei a observar a rotina dos enfermeiros e das pacientes. Só me restava fumar pendurada no janelão do banheiro. Então, com precisão de detetive, fugia da cama e abria a grande janela com vista para o arroio Ipiranga e acendia o meu cigarro. Dava umas três ou quatro tragadas, molhava a brasa, enrolava com papel e lá ele ia embora pelo vaso sanitário. O banheiro nunca ficava fumacento. Lavava as mãos e rosto, escovava os dentes, aspergia uma loção e voltava pra cama para mais agulhadas.

Lembro que numa manhã, desesperada de fome e vontade de fumar desci pelas escadas escondendo o braço com pulseira de internação. Tava tonta de fome e da medicação; passei pela lancheria apenas para olhar as delícias expostas, depois entrei na capela e tomei coragem para ir até o hall de entrada, com um povo entrando e saindo. De braço coberto, saí finalmente para rua; vontade de fugir, mas não o fiz. Apenas acendi um cigarro tranquilamente sob o sol escaldante. Pensei que fosse desmaiar... mas meu santo é forte. Fumei à vontade, sem precisar me abanar... Voltei pelas escadas e fui me deitar, sem culpa nem remorso. Mais um ou dois dias e teria alta!

Pensem com algum bom senso, ninguém nem nada é cem por cento livre de nada! 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Botar fogo nas urnas já é um passo à frente

Máquina fraudada!
Não existe outra alternativa! Querem mudança e transparência no pleito eleitoral tupiniquim: abolir esse sistema sem nenhuma segurança ou confiabilidade! Não tem escolha, isso tem que terminar de uma vez por todas.

Nenhum país sério adota essa máquina dos infernos que nem sei quem inventou, talvez algum petista com desejos de comunismo de foice e martelo, no intuito dessa corja que aí está permaneça no poder pela eternidade.

A mudança começa por aqui, não tem jeito!

Regras úteis e de boa educação para participar das manifestações de rua

Se pretende participar de manifestações contra os descalabros da política econômica desse país, opte por uma roupa confortável que não seja vermelha, nem que seja Colorado de coração. Use sapatos confortáveis para longas caminhadas ou fugir da polícia. Não use maquiagem nem máscara, só se for do Cerveró com o olho quase caindo.

Leve água, não armas; pode levar flores e perfume para botar ao longo do trajeto, assim caracterizando um protesto simpático e pacífico. Leve a bandeira nacional, imprescindível nessa situação. Um espelho para retocar a maquiagem, spray para disfarçar o mau hálito, dessa forma não enjoando os policiais durante o enfrentamento. 

O pessoal mais afeto ao misticismo recomendo incenso para acender nos cantos escuros; uma pequena vela e algumas pipocas pedindo prosperidade em frente aos bancos.

Não use palavrões nem grite "fora dilma" que de nada adianta. Ela não vai renunciar nem irá embora. Muito menos seu comparsa o senhor presidente-adjunto, Luís Inácio Lula da Silva. Acredito que só matando. Há que contratar um matador de aluguel para essa missão.

Provavelmente o evento vai durar horas. Leve um lanchinho para comer enquanto descansa da luta ilusória e inútil. Caminhar dá fome.

Não grite pelo impeachment, não será ouvido. Aliás, tudo uma perda de tempo, desgaste, estresse e energia.

Também recomendo levar uma garrafinha de água benta para espargir nos policiais; queremos uma manifestação cordial, pacífica e educada. Sempre seja gentil.



Para os que estão solteiros e à procura de um namorado, nada melhor. Esqueça a Dilma e vá viver seu novo romance! Boa sorte! 

Pára o Brasil que eu quero descer

Em geral o povo tá mais ligado nos fatos escabrosos porque passa esse território chamado Brasil. Todos ligados nas estradas e paralisações, protestos e notícias sem fim da corrupção, desmandos e impunidade. Nossa sobrevivência e segurança estão em risco iminente. Se bem que não tenho expectativas de que o povo vai encarar o desafio e botar tudo de perna pro ar.


Brasileiro tem pouca visão, pouca cultura, mente estreita e grande ilusões de ser povo guerreiro. No máximo, botam fogo em ônibus, quebram vitrines, picham paredes e portam cartazes de "Fora Dilma", como se isso fosse adiantar... Brasileiro é ingênuo. Confesso, vai ter uns empurrões, gente agredida e presa; talvez um morto... e só.

Lamento que tem gente que não prescruta o caminho das estrelas. A vida está lá em cima e vez em quando se deixa ver. A maioria não vai empunhar uma bandeira e sair às ruas em manifestações que beiram colegiais pretendendo uma merenda melhor. Então olhem pro céu, não pra rogar aos deuses a justiça nesse país, mas para, quem sabe, subir na nave alienígena e dar o fora desse país sem cura. Sim, o Brasil não tem cura! Talvez daqui a mil anos...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Orixá errado: quem se responsabiliza

Resposta: ninguém! As pessoas que buscam na religião afro, candomblé ou nação africana porque precisa de amparo, direção, proteção ou orientação, não estão ali por curiosidade, ali estão porque estão sofrendo. Entram e sentam na frente do orientador, nem vou qualificar como pai ou mãe de santo - a maioria não merece - escutam o que os búzios caindo tem a dizer sobre sua vida e o dono de sua cabeça. A velha e antiga tradição e preceitos de que é necessário aplacar a ira dos deuses. Estão ali pedindo socorro. Os motivos não importam, são os mais variados. Então as conchinhas caem e os orixás respondem que é filho deste ou daquele orixá.

Vulnerável, a pessoa arruma dinheiro para fazer o que é preciso, quer melhorar, quer se curar, quer proteção. Enfim, o tempo passa, e tudo começa dar errado. Muitos ficam piores, doentes, tem perdas materiais. Desconfiados, vão jogar noutra casa de religião. Jogam de novo os búzios que respondem que o orixá não é aquele ao qual foi feito. De quem é a responsabilidade, quem vai "consertar" a vida do pobre coitado perdido numa infinidade de rituais sombrios e complicados.

Sem saída, e confiando que na nova casa tudo vai se arrumar, passa por nova feitura. E assim vai indo de casa em casa. Muitos estão agora no Hospital São Pedro, completamente desorientados, outros procuram nova religião, pedem auxílio na umbanda ou no kardecismo. Outros nunca mais acham o caminho. E volto a perguntar de quem é a responsabilidade! Está mais do que chegada a hora dessas discrepâncias e falta de responsabilidade de quem usa e abusa da religião afro para ganhar dinheiro, pouco se importando com o "filho da casa" que se fodeu e perdeu tudo; alguns a própria vida.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Piangers modesto

Marcos Piangers, colunista de Zero Hora
Em recente artigo publicado em jornal Zero Hora que suscitou uma polêmica incompreensível, xingamentos e ameaças, o articulista comentou que não entendeu a reação visceral do leitor gaúcho que ficou ofendido com seu texto com título Vento no Litoral. Eu adorei! Concordo com o realismo fantástico que ele e sua família experimentaram na beira da praia. Eu mesma que morei dois anos em Arroio Teixeira, entre Capão Novo e Torres, passei noites em claro, vestida pra dar no pé, se preciso fosse, e o carro pronto pra sair da garagem caso minha casa desabasse com o vento sudoeste, conhecido como Minuano em pleno ciclone extratropical. Raios, trovões e ventania na beira da praia dá um medo danado. 

Então esse catarinense que se banhou no mar cor de chocolate em pleno verão, pouco ou nada sabe sobre os ventos frequentes no litoral rio-grandense. Não é vento, é ventão em tempos de ciclone!

No verão o mais conhecido, nem tão temido, mas chato pra caralho, é o Nordestão. Em geral anuncia chuva daqui uns dias.

Normalmente, uns dias por verão, a melhor praia para os gaúchos, é antes da chuva, quando a gente não sofre com a ventania. E podemos avistar as nuvens escuras vindo da direção oeste. E em poucas horas a praia se transforma num lugar inóspito que lembra a Patagônia.

   

Vento no Litoral, vale a pena ler de novo


( Texto que beira o realismo fantástico de um colunista de Zero Hora, catarinense que trocou seu lindo estado pelo nosso Rio Grande, tem gosto pra tudo!)




VENTO NO LITORAL

Final de semana passado, aquela coisa de Planeta Atlântida, pensei comigo mesmo que 72 carros por minuto não podiam estar errados e toquei com a família toda para o até então desconhecido litoral gaúcho, visto que mesmo depois de oito anos morando em Porto Alegre nunca me pareceu valer a pena pegar a estrada para presenciar com mulher e filhas todo aquele cenário à beira-mar terrível que os amigos gaúchos sempre descreveram meio brincando, meio falando sério, e que as capas da Zero Hora sempre confirmaram visualmente desagradáveis, por mais esforçado e competente que seja o fotógrafo. O litoral gaúcho é provavelmente a única coisa gaúcha que os gaúchos reconhecem não ser a melhor coisa do mundo.

Veranistas rebatem críticas às praias gaúchas
Após texto polêmico, Piangers recebe ameaças e explica opinião sobre litoral gaúcho

Na tarde daquele sábado nublado, me senti no segundo planeta visitado pelo Matthew McConaughey no filme Interstellar: um ambiente tão inóspito, que não consigo entender como pode ser habitado. O vento era como se Deus pegasse areia com as mãos e enfiasse um punhado em meu olho aberto. A maresia trazia até minhas narinas o aroma de peixe morto e a fumaça do queijo coalho, saindo do carrinho do ambulante. Muitos carros tocavam música e nos meus ouvidos demônios imaginários jogavam flechas com versos como “te ensinei certim” e “eu prefiro estar aqui te perturbando”, esta última uma frase que, não posso negar, combinava com meu desconforto.

Estávamos há cerca de cinco minutos na praia quando minha filha mais velha, brincando na areia, foi atacada por ondas negras violentíssimas, que tentavam levar embora a menina. A mais nova estava mexendo com uma espuma amarela provavelmente cheia de coliformes fecais. Minha mulher corria atrás da canga e eu tentava ajudar as três ao mesmo tempo, com os olhos cheios de areia, a cara cheia de fumaça de queijo coalho e os ouvidos cheios de hits nacionais. Tenho certeza de que algumas pessoas na praia fotografaram meu desespero, com celulares a distância, elas acham que eu não noto, mas eu noto e só não sei se me fotografam porque sou famoso ou tenho um aspecto de náufrago.

(Falando nisso, uma vez estava no Rio de Janeiro, subi em uma grande pedra para
olhar a vista, só de calção e barba, e a praia toda lá embaixo, cheia de cariocas sacanas, começou a gritar: “Wilsoooon! Wilsoooon!”. Mas isso é outra praia.)

Depois daqueles ataques sistemáticos, resgatamos as pequenas (a mais nova já com espuma na boca), deixamos a canga como oferenda a Iemanjá e corremos pro hotel, onde precisamos de três banhos para tirar totalmente aquele litoral gaúcho impregnado em nossa pele. Temos agora um psiquiatra marcado pra semana que vem e com muita conversa vamos superar tudo isso.

_________________________________________________________________________________ * -  Nota da blogueira: Marcos Piangers, não repita essa amarga experiência! Aliás, acrescento que o povo gaúcho é ruim de risada, leva tudo na ponta da faca. O pessoal de teatro então que aqui se apresenta confessa que sempre é um desafio, costumam dizer que é seleta a plateia,  evitando dizer que são pessoas muito exigentes e lamentam a economia das palmas! Gaúcho, gente ruim de negócio!